Domingo, 27 de Setembro de 2020
Brasil

Sem eficácia atestada, 81 mil comprimidos de cloroquina estão estocados no Amazonas

Somente pacientes que autorizam com assinatura e termo de responsabilidade podem usar o medicamento contra Covid-19

Publicada em 27/07/20 às 18:47h - 32 visualizações

por Toda Hora


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 (Foto: DIVULGAÇÃO)

Os riscos do uso do medicamento fizeram especialistas recuarem na prescrição aos pacientes

O Amazonas tem em estoque cerca de 81.140 comprimidos de cloroquina. O estado recebeu 371 mil comprimidos desse medicamento que foram enviados pelo Governo Federal durante a pandemia do novo coronavírus (covid-19). Outros 30.240 comprimidos de hidroxicloroquina foram doados por uma indústria farmacêutica. Sem comprovação científica no tratamento da covid-19, os dois medicamentos usados no tratamento da malária, só podem ser receitados com autorização do paciente infectado com o novo coronavírus ou da família.

Tanto a cloroquina como a hidroxicloroquina são os medicamentos defendidos pelo presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) desde início da pandemia mesmo sem validação de estudos científicos. Os riscos do uso desses medicamentos em casos mais graves e leves da covid-19 fizeram especialistas recuarem na prescrição aos pacientes. Com isso, os estoques do governo federal e de estados que receberam os medicamentos estão parados.

Um documento obtido pelo Jornal Folha de São Paulo revelou que técnicos que fazem parte de um comitê de emergência sobre o novo coronavírus alertaram, em reuniões no Ministério da Saúde, sobre o risco de o governo ficar com estoques parados de cloroquina.

No início de julho, o governo federal tinha uma reserva de 4 milhões de comprimidos do medicamento, um volume pouco abaixo do total que já havia sido distribuído, de 4.3 milhões até aquele momento. A quantidade dos medicamentos parados em estoque, no entanto, poderia ser ainda maior, já que alguns estados não quiseram receber o medicamento.

Sem protocolo

A Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam) informou que não criou protocolo de uso de medicamentos, sendo utilizado o protocolo do Governo Federal conforme prescrição médica e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelo paciente.

“Considerando que não há, até o momento, estudos suficientes para garantir certeza de melhora clínica dos pacientes com covid-19 quando tratados com cloroquina ou hidroxicloroquina, cabe ao médico, considerando a soberania da clínica médica, a decisão para o uso do medicamento, com a obrigatoriedade do consentimento do paciente ou de seus familiares, quando for o caso. A cloroquina e hidroxicloroquina foram utilizadas em nosso estado”, informou a Susam.

Segundo a Susam, o Governo Federal não enviou hidroxicloroquina. E mesmo com estoque de 81 mil compromidos, a Susam abriu processo de dispensa de licitação para a compra da hidroxicloroquina, mas por duas vezes não houve propostas. No momento, a secretaria encontra-se com o terceiro processo de dispensa de licitação em andamento.

“Em virtude da intensa procura pelo medicamento no início da pandemia e a compra indiscriminada do mesmo, os estoques dos fornecedores foram esgotados. Com isso, o fornecedor do Estado que possuía o medicamento em ata de preço, a qual havia sido aderida pela secretaria, pediu o cancelamento da mesma por não ter como fornecer o produto”, explicou a Susam.




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