Sábado, 08 de Agosto de 2020
Polícia

Polícia suspeita que lavagem de dinheiro e agiotagem tenham relação com Fake news em Acaraú no Ceará

Dois homens suspeitos são investigados por calúnias de cunho político no Município. A Polícia Civil investiga se R$ 1 milhão em dinheiro, promissórias, cheques e contratos apreendidos na casa de um dos suspeitos teriam origem criminosa

Publicada em 02/07/20 às 16:44h - 215 visualizações

por Manoelzinho Canafístula/Com Informações Diário do Nordeste


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O agente de segurança acrescenta ter chamado atenção dos investigadores um veículo de luxo, alta movimentação bancária, dezenas de cartões de bolsa-família e contratos de imóveis.  (Foto: Policia Civil - Divulgação)

A Polícia Civil do Ceará deflagrou operação para combater a propagação de notícias falsas na cidade de Acaraú, interior do Estado, no mesmo dia o Senado aprovou o projeto de lei das fake news. A operação identificou dois homens e ambos estão sendo investigados por calúnia ao disseminarem fake news de natureza política nas redes sociais no município. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, as autoridades colheram indícios que apontam a possibilidade de outros crimes, como agiotagem e lavagem de dinheiro.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) foram apreendidos mais de R$ 1 milhão em dinheiro, cheques, notas promissórias e contratos de aluguel na casa de um dos suspeitos, ele tem 18 anos e confessou ser o autor das publicações das notícias falsas. As investigações tiveram início há cerca de três meses, após denúncias sobre um perfil falso em rede social que realizava publicações e atacava agentes públicos e agentes políticos ligados a um partido político. Há suspeitas que outras pessoas estejam envolvidas nas ações investigadas. “Normalmente essas pessoas costumam ter ideologias políticas e pensamentos parecidos, elas convivem e mantém contatos entre si e esse é o nosso objetivo, quebrar toda a rede, mas não somente os dois alvos de ontem e sim toda a rede de Fake News na região”. Disse o delegado responsável pelas investigações, Alaiton Andrade durante entrevista exclusiva ao Programa Conexão 92 da Radio Difusora FM de Acaraú.

A partir de decisão judicial foram informados os IPs das máquinas de onde os ataques eram publicados. A Polícia Civil solicitou mandados de buscas e apreensões, que foi deferido pelo Poder Judiciário e cumpridos na terça-feira (30). Os policiais civis chegaram muito cedo às 5h da manhã a dois alvos específicos um no bairro Outra Banda na sede e o outro na comunidade de Lagoa Grande, zona rural do município. Na casa de um deles, foram encontrados os papéis que somados totalizavam mais de R$ 1 milhão, sendo R$ 5 mil reais em dinheiro.

Segundo a Polícia Civil, um dos suspeitos, um jovem de 18 anos, confessou em seu depoimento, que realizava as publicações falsas nas redes sociais. O delegado Ricardo Magalhães, da Delegacia Municipal de Sobral, que também participou das buscas, conta que o suspeito tinha um perfil falso no Instagram. Ao localizar o IP, os policiais foram até a localidade da Fazenda Lagoa Grande, e apreenderam aparelhos eletrônicos que serão periciados e devem auxiliar nas próximas fases da investigação.

"No depoimento, ele relatou que participava do esquema. Não disse se alguém o pagava ou não. O outro endereço de onde partiam as publicações, este outro em um perfil no Facebook, era dentro da cidade de Acaraú mesmo", afirmou Magalhães.

Próximos passos

De acordo com o delegado, nas buscas foram identificados indicativos dos crimes de lavagem de capitais (dinheiro) e agiotagem (empréstimos não regulares). O agente de segurança acrescenta ter chamado atenção dos investigadores um veículo de luxo, alta movimentação bancária, dezenas de cartões de bolsa-família e contratos de imóveis.

"Isso tudo será investigado pela Delegacia Regional de Acaraú. Vão analisar os documentos e ver se realmente há estes crimes. É uma movimentação bem alta, mas, até então, são indícios. Como o crime imputado inicialmente é o de calúnia, eles não ficaram presos. Durante a investigação se ficarem comprovados outros crimes, pode-se representar pelas prisões", explicou Ricardo Magalhães.

O delegado de Sobral ressaltou que disseminar informações falsas propositalmente pode gerar uma responsabilização criminal: "é importante que a população tenha ciência que propagar fake news causa transtornos às imagens das pessoas". Já o delegado titular da Delegacia Regional de Acaraú, Alailton Andrade, reforçou que a Polícia Civil acompanha a divulgação desse tipo de material no mundo virtual.

"A Polícia Civil continuará trabalhando e investigando a divulgação de fake news na cidade. Nós rastrearemos toda a rede de informações e as pessoas que compartilham e ajudam nesse tipo de crime. Então tenham cautela com o que vocês compartilham, porque nós estamos atentos a isso", disse Andrade.




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