Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019
Saúde

Euforia em futebol: morte de torcedor em Fortaleza acende alerta para riscos de ataques cardíacos

Neste último fim de semana, torcedores do Flamengo morreram após se emocionaram com a disputa, os gols e a vitória do time carioca na Taça Libertadores

Publicada em 26/11/19 às 15:28h - 4 visualizações

por Diário do Nordeste


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Washington assistia o jogo do Flamengo em casa, no bairro Conjunto Ceará, quando infartou e morreu no sábado (23)  (Foto: arquivo pessoal)

 

Momentos de euforia que levam a grandes emoções, sejam elas positivas ou negativas, podem ser fator de preocupação para a saúde. Neste último fim de semana, dois torcedores do Flamengo, um de Fortaleza e outro de Cuiabá, no Mato Grosso, passaram mal e morreram durante o jogo, quando o time carioca venceu o River Plate pela Taça Libertadores e ganhou o campeonato.

Na Capital cearense, o empresário Washington Vasconcelos, 41, assistia a partida em casa, no bairro Conjunto Ceará, quando se sentiu mal após o gol de virada do seu time. Segundo familiares, ele infartou e morreu e uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ele foi velado nesse último domingo (24).

De acordo com o cardiologista do Hospital de Messejana, João David de Souza, momentos de forte emoção causam uma descarga muito grande no coração e, às vezes, pode ser mais do que a pessoa consegue aguentar, dependendo do seu histórico médico. Conforme a irmã do cearense que morreu, ele havia passado mal há alguns meses.

"Algumas pessoas podem ter o substrato de uma doença já existente, mas que não sabia que tinha. Pode ser uma arritimia, uma doença coronária, miocárdica, hipertensão, que somadas com a emoção do momento, aumenta a pressão arterial da pessoa e desencadeia o infarto, por exemplo. Às vezes, as pessoas não estão devidamente saudáveis para assistir jogos ou qualquer outro tipo de disputa", alerta o especialista.

O torcedor Washington, inclusive, tinha uma consulta cardiológica marcada, mas não deu tempo comparecer. "Pode acontecer com qualquer pessoa, inclusive com quem não tem nenhum histórico cardíaco, mas com uma pessoa que é muito fã de futebol soma mais fatores ainda. As pessoas em estádios ficam muito naquela tensão e podem não suportar a emoção", indica João David.

Prevenção

Já Ricardo Pereira Silva, professor de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e diretor da Clínica de Diagnóstico Cardiológico do Hospital São Mateus, ao sinal do primeiro sintoma é preciso procurar um médico urgentemente, principalmente se a pessoa tiver idade mais avançada.

O cearense e o cuiabano, Valdecir Rosa de Ferias, tinham 41 anos. Os sintomas de Valdecir já eram mais sérios do que os do morador de Fortaleza. De acordo com informações do G1 Mato Grosso, ele havia operado o coração há cerca de três anos.

Ambos tiveram o que o médico Ricardo Pereira classifica como morte súbita, que ocorre antes da pessoa chegar ao hospital ou menos de 24 horas após a chegada na unidade de saúde. "Nesse caso, foi uma morte súbita de origem cardíaca, que acontece com mais frequências. O infarto costuma acontecer com pessoas mais idosas e as arritmias tanto com jovens e idosos. É preciso ter cuidado com essas emoções. Nesses momentos o nosso corpo libera muita adrenalina e pode ser fatal", aponta.




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